Editorial-style photo showing a worried middle-class Brazilian man checking his bank app on a smartphone, with a laptop open displaying financial news about bank failures. Background: modern urban apartment with subtle newspaper headlines about 'Banco Master' and 'Will Bank'. Lighting: natural daylight, professional tone, realistic detail, no cartoonish elements.
Imagem Conceitual gerada com inteligência artificial

Entenda o que aconteceu com o Banco Master, Will Bank e outros casos recentes, e aprenda a identificar se sua instituição financeira é segura.

💡 Dica de acessibilidade: no canto superior direito da tela, você encontra um botão para ouvir este artigo em vez de lê-lo!

Nos últimos anos, o Brasil testemunhou episódios preocupantes de instabilidade no setor bancário. O fechamento do Banco Master, as dificuldades enfrentadas pelo Will Bank, e outras intervenções do Banco Central (BC) deixaram milhares de correntistas em alerta. Embora o sistema financeiro nacional seja considerado sólido, esses casos reforçam a importância de saber como avaliar a confiabilidade de uma instituição financeira antes de depositar seu dinheiro.

Neste artigo você verá:

  • O que realmente aconteceu com o Banco Master e o Will Bank
  • Como funciona a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
  • Os 5 sinais claros de que um banco pode estar à beira da falência
  • Passo a passo prático para verificar a saúde de qualquer banco
  • Dicas para proteger seu patrimônio mesmo em cenários de crise

ENTENDA OS CASOS RECENTES: BANCO MASTER E WILL BANK

Em outubro de 2023, o Banco Central do Brasil determinou a intervenção no Banco Master, uma instituição de pequeno porte com foco em crédito consignado e operações digitais. A medida foi tomada após constatação de violações graves às normas prudenciais, incluindo exposição excessiva a riscos e gestão inadequada de capital. Poucos meses depois, em fevereiro de 2024, o BC também interveio no Will Bank, controlado pelo grupo Will Finance, por problemas semelhantes: liquidez insuficiente e deterioração da qualidade de ativos.

Ambos os bancos foram posteriormente liquidados extrajudicialmente, processo administrado pela autoridade monetária para encerrar suas atividades de forma ordenada. Nesses casos, os clientes tiveram seus depósitos resgatados até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, graças ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — mecanismo de proteção obrigatório para todos os bancos associados.

É importante destacar que nenhum cliente perdeu recursos dentro do teto do FGC. No entanto, quem tinha valores acima desse limite precisou aguardar o processo de liquidação, o que pode levar meses ou até anos.

O QUE É O FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITOS (FGC)?

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 e regulada pelo Banco Central. Seu objetivo é proteger depositantes e investidores em caso de falência de instituições financeiras associadas.

Funciona assim:

  • Todo banco que opera no Brasil e oferece contas à vista, poupança, CDBs, LCIs, LCAs e outros títulos de renda fixa deve ser associado ao FGC.
  • Em caso de liquidação, o FGC garante o ressarcimento de até R$ 250.000 por CPF, por instituição.
  • O pagamento costuma ocorrer em até 10 dias úteis após a decretação da intervenção.

Você pode verificar se seu banco é associado ao FGC diretamente no site oficial do fundo.

“O FGC é um dos pilares da estabilidade do sistema financeiro brasileiro. Ele não elimina o risco, mas reduz drasticamente o impacto sobre o cidadão comum.”
— Banco Central do Brasil, Relatório de Estabilidade Financeira, 2024

5 SINAIS DE QUE UM BANCO PODE ESTAR EM RISCO

Embora o colapso de um banco pareça repentino, há indicadores antecipados que podem ser monitorados por qualquer pessoa. Abaixo, listamos os principais:

  • Taxas de juros anormalmente altas
    Bancos em dificuldade costumam oferecer CDBs ou aplicações com rentabilidades muito acima do mercado para atrair recursos rapidamente. Se um banco promete 18% ao ano enquanto o CDI está em 13%, desconfie.
  • Notícias frequentes de multas ou sanções do BC
    Instituições com repetidas penalidades por descumprimento de normas (como reservas insuficientes ou relatórios falsos) estão sob vigilância reforçada.
  • Dificuldade de saque ou transferência
    Se você começa a enfrentar atrasos constantes para sacar ou transferir dinheiro, isso pode indicar problemas de liquidez.
  • Mudanças bruscas na liderança executiva
    Saídas repentinas de CEOs, CFOs ou diretores de risco, sem justificativa clara, são sinais de alerta.
  • Queda acentuada no rating de agências independentes
    Agências como Fitch, Moody’s ou Austin Rating avaliam a solidez dos bancos. Uma rebaixamento súbito merece atenção.

COMO VERIFICAR SE SEU BANCO É CONFIÁVEL: PASSO A PASSO

Proteger seu dinheiro não exige conhecimentos avançados de finanças. Siga estas etapas simples:

  1. Confirme se o banco é associado ao FGC
    Acesse fgc.org.br/associados e busque pelo nome da instituição.
  2. Consulte o Índice de Basileia (IB)
    Disponível no site do Banco Central, o IB mede a capacidade do banco de absorver perdas. Valores abaixo de 10,5% indicam risco.
  3. Análise o Índice de Liquidez Imediata (IL)
    Também no BC, o IL mostra se o banco tem caixa suficiente para honrar compromissos de curto prazo. Acima de 60% é considerado saudável.
  4. Evite concentrar mais de R$ 250 mil em uma única instituição
    Mesmo que o banco seja sólido, diversifique para garantir cobertura total pelo FGC.
  5. Monitore notícias oficiais
    Siga o perfil do Banco Central no Gov.br e assine alertas de intervenções.

INDICADORES-CHAVE DE SAÚDE BANCÁRIA (2025)

Indicador Limite Seguro Onde Consultar
Índice de Basileia (IB) ≥ 10,5% Banco Central – SGS
Liquidez Imediata (IL) ≥ 60% Banco Central – Relatórios
Participação no FGC Sim fgc.org.br
Rating mínimo recomendado BBB- (Fitch/Moody’s) Sites das agências

Fonte: Banco Central do Brasil (2025); FGC (2025)

DIVERSIFIQUE E PROTEJA: ESTRATÉGIAS PRÁTICAS PARA O CIDADÃO COMUM

Mesmo com o FGC, é prudente adotar medidas preventivas:

  • Divida seus recursos entre 2 ou 3 instituições diferentes, especialmente se tiver mais de R$ 250 mil aplicados.
  • Prefira bancos com histórico longo e transparência regulatória, como os grandes bancos públicos (Caixa, BB) ou privados de primeira linha (Itaú, Bradesco, Santander).
  • Para investimentos de maior valor, considere títulos públicos via Tesouro Direto, que têm garantia soberana (ou seja, respaldo do governo federal).
  • Evite “bancos fantasmas” que só existem em aplicativos sem sede física ou CNPJ verificável.

Lembre-se: retorno alto sempre envolve risco alto. Se parece bom demais para ser verdade, provavelmente é.

CONCLUSÃO

A crise do Banco Master, o colapso do Will Bank e outros episódios recentes não indicam fragilidade sistêmica do setor bancário brasileiro — que, aliás, é considerado um dos mais resilientes do mundo emergente. No entanto, esses casos servem como alerta importante: nem todo banco é igualmente seguro.

Ao entender os mecanismos de proteção (como o FGC), monitorar indicadores de saúde financeira e adotar práticas de diversificação, você transforma a incerteza em segurança. O primeiro passo é simples: verifique hoje mesmo se seu banco está no site do FGC e quanto você tem aplicado nele.

Seu dinheiro merece estar onde há transparência, regulamentação e respaldo. Não espere uma crise para agir.