Petrobras (PETR4): IBAMA Libera Licença para Perfuração na Margem Equatorial

Imagem: Divulgação/Petrobras


Ibama autoriza poço exploratório no bloco FZA-M-059; Petrobras pretende iniciar perfuração imediatamente com sonda já no local. O projeto envolve investimento inicial de quase R$ 800 milhões, com potencial para atrair até R$ 300 bilhões em investimentos futuros e gerar centenas de milhares de empregos.

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Lide

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu nesta segunda-feira, 20 de outubro de 2025, a licença que permite à Petrobras iniciar a perfuração de um poço exploratório na Foz do Amazonas. A estatal afirma que a perfuração começará imediatamente, já que a sonda contratada encontra-se no local, e durará cerca de cinco meses para avaliar a existência de petróleo e gás na região.



Localização e detalhes operacionais

A perfuração ocorrerá no bloco denominado FZA-M-059, situado na Margem Equatorial, em águas profundas do Amapá, a aproximadamente 500 quilômetros da foz do rio Amazonas e 175 quilômetros da costa brasileira. A sonda está no local desde agosto, e o custo diário de aluguel desse equipamento é estimado em torno de R$ 4 milhões, segundo informações da empresa.

A Petrobras projeta um investimento inicial próximo de R$ 800 milhões para a etapa exploratória. O Ministério de Minas e Energia destaca que, caso a avaliação confirme a presença de volumes comercialmente viáveis de óleo e gás, a região pode atrair investimentos muito superiores e transformar-se em nova frente produtiva para o país.


Potencial econômico e previsões do governo

A perfuração na Bacia da Foz do Amazonas tem potencial para causar impactos econômicos significativos. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a região pode atrair investimentos da ordem de R$ 300 bilhões, gerando uma arrecadação estatal superior a R$ 1 trilhão ao longo das próximas décadas e criando cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos. Além disso, a Petrobras destaca que a exploração pode contribuir para a recomposição das reservas nacionais, especialmente diante do declínio previsto da produção do pré-sal.

Por outro lado, especialistas apontam que a atividade pode impulsionar o desenvolvimento econômico local, com geração de empregos e aumento da arrecadação tributária, mas também alertam para a necessidade de políticas públicas que garantam a distribuição justa dos benefícios econômicos para as comunidades locais e para o estado do Amapá.

Estudos indicam que a exploração petrolífera pode estimular setores como transporte, comércio e serviços, promovendo um efeito multiplicador na economia regional. Contudo, há preocupações quanto aos riscos ambientais que podem afetar atividades tradicionais, como a pesca e o turismo, impactando negativamente a economia dessas comunidades.

Assim, o impacto econômico da perfuração envolve um equilíbrio entre os ganhos financeiros e os desafios socioambientais, exigindo monitoramento constante e políticas integradas para maximizar os benefícios e minimizar os prejuízos.

O governo federal e autoridades do setor apontam para um cenário de larga escala na Margem Equatorial. Estimativas apontadas por órgãos governamentais colocam o potencial da região em até 30 bilhões de barris de óleo equivalente. O Ministério de Minas e Energia afirmou que o bloco FZA-M-059 poderia desencadear investimentos da ordem de R$ 300 bilhões e gerar arrecadação estatal superior a R$ 1 trilhão ao longo das próximas décadas, além de criar cerca de 300 mil empregos diretos e indiretos.

A Petrobras justifica a iniciativa também pela necessidade de recompor reservas, diante da previsão de que a produção do pré-sal comece a declinar na próxima década. A empresa vê a Margem Equatorial como uma nova fronteira que pode contribuir para a longevidade da produção nacional de óleo e gás.


Processo de licenciamento ambiental

A liberação da licença não foi imediata nem isenta de controvérsia. O Ibama vinha rejeitando o pedido de licença nos últimos anos e cobrou da Petrobras uma série de informações e ajustes técnicos complementares. A licença só foi emitida após a realização de um simulado de resposta a emergências pela petroleira e a reformulação do plano de proteção à fauna marinha, incorporando exigências do órgão ambiental.

Segundo o Ibama, o processo envolveu estudos ambientais, reuniões técnicas e audiências públicas, culminando em um aprimoramento substancial do projeto apresentado pela Petrobras. A agência enfatizou que, durante a perfuração, será realizado um novo exercício simulado de resposta a emergências com foco em estratégias de atendimento à fauna.


Posicionamento da Petrobras

A presidente da Petrobras declarou que a companhia demonstrou a robustez de suas medidas de proteção ambiental e que operará na Margem Equatorial com “segurança, responsabilidade e qualidade técnica”. A empresa ressalta que os esclarecimentos finais ao Ibama ocorreram em reunião técnica na quinta-feira anterior à concessão da licença, o que viabilizou a autorização.

A estatal também destaca a rapidez prevista para a etapa exploratória, já que a estrutura logística e a sonda estão prontas para operar, reduzindo o tempo entre autorização e início das atividades.


Reações e preocupações ambientais

Apesar das garantias da empresa e do aval do Ibama, o projeto enfrenta resistência de parcelas da sociedade preocupadas com impactos ambientais na região da Amazônia. Ambientalistas e grupos de defesa do meio ambiente têm alertado para os riscos de exploração em áreas sensíveis, especialmente em função da complexidade de operações em águas profundas próximas a ecossistemas costeiros e de plataforma continental associada à foz do Amazonas.

O contraste entre o potencial econômico e os riscos ambientais mantém o tema sob forte escrutínio público e institucional, e a continuidade do projeto dependerá não apenas dos resultados geológicos, mas também do cumprimento rigoroso dos protocolos de monitoramento e contingência.


Próximos passos

Com a licença concedida e a sonda em posição, a Petrobras tem previsão de perfurar o poço exploratório por aproximadamente cinco meses. Caso a presença de volumes significativos seja confirmada, a companhia e o governo deverão avaliar a viabilidade da fase de desenvolvimento comercial, o que implicaria investimentos muito maiores e a implantação de infraestrutura adicional.

O processo permanece sujeito a monitoramento ambiental contínuo e a exigências regulatórias que surgirem durante as operações, bem como a eventuais revisões por parte do Ibama e de outros órgãos competentes.


Assina: Patrick Oliveira, com base em informações divulgadas pela Petrobras, Ibama e Ministério de Minas e Energia.

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