TERRAS RARAS 2025: A Nova Corrida Global que Movimenta Bilhões e Atrai Investidores Brasileiros

Imagem do site pexels. Perfil Hannu Iso-Oja

Escalada da disputa EUA–China reacende a valorização de minerais estratégicos; ações e ETFs disparam em 2025 e abrem espaço para oportunidades e riscos no mercado internacional.

Tempo estimado de leitura: 8 minutos

O que são terras raras e por que estão em alta

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias modernas, como smartphones, turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, equipamentos médicos e sistemas de defesa.

A digitalização global, a transição energética e a corrida pela mobilidade elétrica impulsionam a demanda por esses minerais, considerados o “ouro tecnológico” do século XXI.

Segundo o Serviço Geológico dos EUA, o Brasil detém 23% das reservas mundiais, mas ainda participa de forma incipiente na produção. O mercado segue dominado por gigantes listadas em bolsas dos EUA, Austrália e China.

O pano de fundo geopolítico

A valorização recente está diretamente ligada à intensificação da guerra comercial entre Estados Unidos e China. Após novos aumentos tarifários promovidos pela administração Trump, Pequim respondeu com medidas inéditas: a partir de novembro de 2025, qualquer produto que contenha terras raras chinesas – mesmo em proporções mínimas – ou que utilize tecnologia local precisará de licença oficial para exportação.

Esse regime amplia o conceito de “produto direto estrangeiro”, já aplicado pelos EUA em semicondutores, e ameaça diretamente a cadeia global de suprimentos. Hoje, a China responde por cerca de 70% da mineração e até 90% do refino mundial, incluindo a separação de terras raras pesadas, cruciais para baterias, ímãs e sistemas de defesa.

Reação imediata do mercado

O anúncio das restrições provocou forte rali nas bolsas:

  • Critical Metals (CRML): alta de 32%, cotada a US$ 30,66.
  • MP Materials (MP): valorização de 4%, fechando a US$ 98,83.
  • Energy Fuels (UUUU): salto de 11%, a US$ 26,42.
  • ETF VanEck Rare Earth & Strategic Metals (REMX): nova máxima histórica em US$ 80,30, acumulando mais de 106% no ano.

O movimento reflete a percepção de que as restrições chinesas podem gerar escassez e elevar os preços de elementos como neodímio e praseodímio, ao mesmo tempo em que fortalecem mineradoras fora da Ásia.

Vantagens e riscos para investidores

Vantagens:

  • Exposição a uma megatendência global (transição energética).
  • Proteção cambial via ativos dolarizados.
  • Maior liquidez em bolsas americanas e australianas.

Riscos:

  • Volatilidade extrema, com oscilações diárias de dois dígitos.
  • Empresas em fase exploratória, sem receita recorrente.
  • Forte dependência de decisões geopolíticas da China.

Especialistas recomendam limitar a exposição: até 5% do portfólio em ETFs e no máximo 1% em ações isoladas.

Como brasileiros podem acessar o mercado

  • BDRs na B3: já existem recibos de empresas americanas e ETFs disponíveis, incluindo MP Materials.
  • Conta internacional: corretoras como Interactive Brokers, Avenue e Nomad permitem comprar ações e ETFs diretamente nos EUA.
  • ETFs listados na B3: fundos como IVVB11 e NASD11 dão exposição indireta ao mercado americano, mas não são focados em terras raras.

Desempenho das principais empresas em 2025

MP Materials (NYSE: MP)

  • Cotação: US$ 78,34 (10/10/25), alta de 168% em 12 meses.
  • Receita no 2º tri: US$ 57,4 milhões (+84% a/a).
  • Produção recorde de 597 toneladas de NdPr (+119%).
  • Caixa: US$ 2 bilhões para expansão.
  • Contratos: Apple (US$ 500 milhões até 2027) e Departamento de Defesa dos EUA (US$ 400 milhões + crédito de US$ 150 milhões).

Critical Metals (NASDAQ: CRML)

  • Cotação: US$ 19,67 após pico de US$ 21,45 em outubro.
  • Projeto Tanbreez (Groenlândia): maior depósito de terras raras pesadas do Ocidente.
  • Contratos de 10 anos com processadoras americanas.
  • Captação de US$ 35 milhões em outubro; possível empréstimo do Exim Bank de até US$ 120 milhões.
  • Risco elevado: empresa pré-produção, dependente de execução perfeita.

Energy Fuels (NASDAQ: UUUU)

  • Cotação: US$ 20,34, alta de 254% em 12 meses.
  • Atuação diversificada em urânio, vanádio e terras raras.
  • Parceria para processar terras raras nos EUA, fornecendo óxidos de alta pureza para contratos de longo prazo.

ETFs e diversificação

O VanEck Rare Earth & Strategic Metals ETF (REMX) é o principal veículo de exposição diversificada, com alta de 106% em 2025. O fundo investe em 28 ativos globais, com maior peso para empresas chinesas (33%), americanas (23%) e australianas (23%).

Alternativa: o ETF SETM (Sprott Critical Materials), que mistura mineração de urânio, lítio, cobre e terras raras, acumula alta de 65% no ano.

Tendências de preços e novos acordos

  • O neodímio (Nd) atingiu 735.000 CNY/tonelada em outubro, alta de 37% em 12 meses.
  • O praseodímio e ligas NdPr seguem trajetória semelhante, com volatilidade mensal acima de 10%.

Novos acordos:

  • MP Materials e Apple: parceria de US$ 500 milhões para fornecimento de ímãs reciclados a partir de 2027.
  • Critical Metals: contratos de 10 anos com Ucore e REalloys.

Políticas de incentivo:

  • EUA: aportes bilionários via Defense Production Act.
  • União Europeia: metas de produção doméstica e reciclagem.
  • Brasil: pacote de R$ 5 bilhões via BNDES/Finep para minerais estratégicos.
  • Austrália e Canadá: novos projetos com foco em ESG.

Perspectivas para 2026

A demanda global por ímãs de terras raras deve crescer 60% em 15 anos, puxada pela eletrificação veicular e pela geração eólica.

  • Blue chips como MP Materials e Lynas devem manter vantagem competitiva.
  • Juniors como Critical Metals e Aclara oferecem potencial especulativo, mas com riscos elevados.
  • ETFs seguem como a opção preferencial para diluir riscos e capturar o “boom” do setor.

Considerações finais

A corrida pelas terras raras simboliza uma reconfiguração do poder global nas cadeias de suprimentos industriais. Para o investidor brasileiro, trata-se de uma oportunidade de diversificação internacional em uma das megatendências da década.

No entanto, o setor exige cautela, visão de longo prazo e alocação limitada. A volatilidade geopolítica, tecnológica e regulatória é alta, e a diversificação segue como o melhor antídoto para equilibrar riscos e oportunidades nesse novo “El Dorado metálico”.

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