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Guerra Rússia-Ucrânia entra em nova escalada aérea enquanto cresce a presença de brasileiros no front
Ataques com centenas de drones, novos bombardeios contra cidades e infraestrutura energética e negociações de cessar-fogo sem avanço mantêm a guerra em alta intensidade. Paralelamente, o Itamaraty confirma dezenas de brasileiros mortos e desaparecidos no conflito e reforça o alerta contra o alistamento em forças armadas estrangeiras.
A guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a registrar uma forte escalada aérea em meados de agosto. Em 18 de agosto, autoridades russas relataram uma ofensiva ucraniana com centenas de drones, enquanto um ataque russo matou dez pessoas em uma localidade da região de Kharkiv. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação brasileira com cidadãos que se alistam no exterior: levantamentos do Itamaraty divulgados pela imprensa apontavam 35 brasileiros mortos e 92 desaparecidos até o fim de julho de 2026.
O que aconteceu nas últimas horas da guerra entre Rússia e Ucrânia
O conflito entrou em mais uma fase de forte pressão aérea. Em 18 de agosto de 2026, a Associated Press informou que forças ucranianas lançaram quase 800 drones contra diferentes regiões da Rússia em uma das maiores ofensivas aéreas de Kiev desde o início da invasão russa em larga escala, em fevereiro de 2022. Autoridades russas afirmaram ter interceptado a maior parte dos aparelhos.
No mesmo dia, um ataque russo atingiu Pechenihy, na região de Kharkiv, no nordeste da Ucrânia. Segundo autoridades ucranianas citadas pela Reuters, dez pessoas morreram e pelo menos 18 ficaram feridas. A missão de direitos humanos da ONU informou que estava reunindo dados sobre o ataque e seu impacto sobre civis.
Os dois episódios resumem uma característica central da guerra em 2026: mesmo quando a linha de frente terrestre apresenta avanços relativamente limitados em vários setores, Rússia e Ucrânia ampliam o emprego de drones de longo alcance, mísseis e ataques contra infraestrutura.
A guerra de drones cresce enquanto o front terrestre permanece disputado
A Ucrânia aumentou de forma significativa sua capacidade de atingir alvos dentro do território russo. A AP registrou que a ofensiva de 18 de agosto ocorreu apenas dois dias depois de outro ataque de grande escala. Kiev afirma que ataques de longo alcance buscam atingir infraestrutura militar, logística e econômica usada pela Rússia para sustentar a guerra.
Moscou, por sua vez, mantém uma campanha contínua de mísseis e drones contra cidades, instalações energéticas e outros alvos ucranianos. As duas partes negam atacar civis deliberadamente, mas a expansão do uso de armas de longo alcance aumenta os riscos para populações distantes da linha de frente.
No terreno, a situação continua fluida. Em 12 de agosto, o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy afirmou que suas forças haviam retomado 745 km² de território em 2026. A Reuters registrou que o projeto independente de monitoramento DeepState havia confirmado a retomada de 19 localidades e recuos russos em outras áreas, embora nem todos os números divulgados por Kiev pudessem ser verificados de forma independente.
A Rússia continua pressionando posições ucranianas no leste, especialmente em partes de Donetsk. O quadro não indica uma vitória decisiva de qualquer lado: trata-se de uma guerra de atrito, com ganhos territoriais localizados, grande uso de drones e elevadas necessidades de reposição de tropas e equipamentos.
Infraestrutura energética volta ao centro dos ataques
A empresa estatal ucraniana Naftogaz informou à Associated Press que suas instalações sofreram 13 ataques russos em uma semana e quase 300 ataques ao longo de 2026. Os bombardeios causaram danos a equipamentos e estruturas do setor de energia.
A ONU já vinha registrando aumento expressivo das baixas civis. No primeiro semestre de 2026, a Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU contabilizou 1.396 civis mortos e 7.978 feridos na Ucrânia, número 37% superior ao do mesmo período de 2025. Armas de longo alcance — especialmente mísseis e drones — estavam entre as principais causas de mortes e ferimentos.
Negociações de paz continuam sem produzir cessar-fogo duradouro
Os esforços diplomáticos seguem sem um acordo abrangente. Em 11 de agosto, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia havia entregue a negociadores dos Estados Unidos propostas para tentar encerrar a guerra. Os detalhes não foram divulgados.
No Mar Negro, Kiev também transmitiu por intermédio de terceiros uma proposta para interromper ataques contra alvos civis ligados à navegação. Em 14 de agosto, a Rússia rejeitou a ideia de um cessar-fogo parcial na região, afirmando não ver espaço para medidas limitadas.
A intensificação dos ataques a portos e navios comerciais passou a gerar preocupação adicional por causa do efeito sobre exportações de grãos e segurança alimentar global. Rússia e Ucrânia estão entre os maiores exportadores agrícolas do mundo.
Até o fechamento desta reportagem, não havia anúncio de um cessar-fogo geral nem de negociação direta capaz de encerrar o conflito.
Brasileiros no front: mortes, desaparecimentos e recrutamento crescente
A participação de brasileiros no conflito ganhou dimensão maior em 2026. Reportagem da Folha de S.Paulo, reproduzindo apuração da Deutsche Welle e dados atribuídos ao Itamaraty, informou em 30 de julho que 35 brasileiros haviam morrido e 92 estavam desaparecidos na guerra.
Os números cresceram rapidamente. Em 10 de julho, o Itamaraty contabilizava 33 mortos e 86 desaparecidos, segundo reportagem da Folha publicada no fim daquele mês. Não existe, entretanto, um número oficial público consolidado de quantos brasileiros estão atualmente servindo em unidades ucranianas ou russas.
A maior parte da cobertura recente sobre brasileiros está relacionada às forças ucranianas. A Ucrânia mantém unidades destinadas a estrangeiros e ampliou campanhas de recrutamento internacional, inclusive com conteúdo em português. Uma autoridade ucraniana afirmou em 2026 que mais de 10 mil estrangeiros de cerca de 75 países já haviam combatido pelo país desde 2022.
Isso não significa que o governo brasileiro esteja mobilizando cidadãos para a guerra. A participação ocorre por decisão individual e mediante vínculo com forças estrangeiras. A política oficial brasileira é justamente de alerta contra esse tipo de alistamento.
Há brasileiros também vinculados ao lado russo?
Sim, existem casos documentados. A CNN Brasil noticiou em 2025 o desaparecimento de um brasileiro que havia sido recrutado pelo Exército russo após viajar ao país. Reportagens internacionais também documentaram campanhas russas para recrutar cidadãos estrangeiros de diversas nacionalidades, algumas vezes mediante ofertas financeiras ou propostas de trabalho.
| Informação | Situação confirmada |
|---|---|
| Brasileiros mortos | 35, segundo dados do Itamaraty divulgados pela Folha/DW em 30/07/2026. |
| Brasileiros desaparecidos | 92, segundo a mesma atualização. |
| Total de brasileiros combatendo | Não há número oficial público consolidado. |
| Governo brasileiro envia combatentes? | Não. O Itamaraty recomenda que brasileiros evitem alistamento em forças estrangeiras. |
| Brasileiros lutam apenas pela Ucrânia? | Não. Há casos documentados de brasileiros recrutados também por forças russas. |
Itamaraty alerta brasileiros para não se alistarem em guerras no exterior
O Ministério das Relações Exteriores mantém um alerta consular específico sobre a participação de brasileiros em conflitos armados em terceiros países. O comunicado chama atenção para riscos à vida, dificuldades para abandonar contratos militares, limitações severas da assistência consular e possíveis consequências jurídicas.
Em novembro de 2025, a Embaixada do Brasil em Moscou reforçou publicamente a recomendação para que brasileiros recusassem ofertas de trabalho com finalidade militar. Na ocasião, o Itamaraty destacou que a assistência consular pode ser muito limitada quando o cidadão está vinculado contratualmente às Forças Armadas de outro Estado.
Todo estrangeiro que luta na Ucrânia é mercenário?
Não necessariamente. No Direito Internacional Humanitário, o termo “mercenário” possui uma definição restrita. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), o simples fato de uma pessoa ter nacionalidade estrangeira ou receber remuneração não basta, por si só, para enquadrá-la juridicamente como mercenária.
Entre os requisitos previstos no Protocolo Adicional I às Convenções de Genebra estão fatores como recrutamento específico para combater, participação direta nas hostilidades, motivação essencialmente financeira, promessa de remuneração substancialmente superior à paga a combatentes equivalentes e ausência de incorporação às forças armadas de uma parte do conflito.
Por isso, esta reportagem utiliza expressões como “combatente estrangeiro”, “voluntário estrangeiro” ou “integrante de forças estrangeiras” quando a situação jurídica individual não está comprovada. Quando autoridades russas ou ucranianas empregam o termo “mercenário”, essa classificação é apresentada como alegação da autoridade, e não automaticamente como conclusão jurídica independente.
Como interpretar notícias de uma guerra marcada por propaganda e informação incompleta
Guerras produzem grandes volumes de informação oficial, propaganda, imagens fora de contexto e números que não podem ser imediatamente verificados. Por isso, uma cobertura responsável precisa diferenciar três níveis de informação:
- Fatos confirmados por fontes independentes: informações verificadas por agências como Reuters e AP, organismos da ONU ou múltiplas fontes confiáveis.
- Alegações de uma das partes: números de drones abatidos, baixas militares, território capturado ou danos causados que dependem de confirmação independente.
- Estimativas: projeções de baixas militares, deserções, efetivos e perdas econômicas, que podem variar amplamente conforme metodologia e fonte.
O Direito Internacional Humanitário estabelece princípios como distinção entre civis e combatentes, proporcionalidade e precaução nos ataques. A análise de um incidente específico exige investigação factual e jurídica; por isso, reportagens responsáveis devem evitar classificar automaticamente um ataque como crime de guerra sem evidências e apuração suficientes.
Perguntas frequentes sobre a guerra e os brasileiros no conflito
O Brasil está enviando soldados para a Ucrânia?
Não. Não existe mobilização oficial das Forças Armadas brasileiras para combater na guerra. Os brasileiros presentes no conflito foram por iniciativa individual ou mediante recrutamento estrangeiro.
Quantos brasileiros estão lutando na Ucrânia?
Não há um número oficial público consolidado. Estimativas de comunidades e organizações variam, mas não devem ser apresentadas como dados oficiais.
Quantos brasileiros morreram ou desapareceram?
A atualização atribuída ao Itamaraty e divulgada pela Folha/DW em 30 de julho de 2026 apontava 35 mortos e 92 desaparecidos.
O Itamaraty recomenda que brasileiros se alistem?
Não. O Ministério das Relações Exteriores mantém alerta consular recomendando que brasileiros evitem o alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras.
A guerra está perto de acabar?
Não há base factual para afirmar isso. Existem iniciativas diplomáticas, mas até o fechamento desta reportagem não havia cessar-fogo geral nem acordo político capaz de encerrar a guerra.
Conclusão: conflito se torna mais aéreo, mais internacionalizado e continua sem solução política
A guerra entre Rússia e Ucrânia atravessa agosto de 2026 com uma combinação de ataques de grande escala, uso crescente de drones de longo alcance, pressão sobre infraestrutura energética e negociações diplomáticas que ainda não produziram um cessar-fogo duradouro.
Para o Brasil, o aspecto mais sensível é o aumento do número de cidadãos mortos e desaparecidos após ingressarem no conflito. A presença de brasileiros não decorre de qualquer mobilização oficial do país e ocorre em sentido contrário às recomendações consulares do Itamaraty.
• Rússia e Ucrânia intensificaram ataques aéreos de longo alcance.
• Um ataque russo em Kharkiv matou dez pessoas em 18 de agosto, segundo autoridades ucranianas citadas pela Reuters.
• A Ucrânia realizou uma das maiores ondas de drones contra território russo desde 2022, segundo a AP.
• Negociações de paz e propostas de cessar-fogo parcial seguem sem acordo abrangente.
• Dados atribuídos ao Itamaraty apontavam 35 brasileiros mortos e 92 desaparecidos até o fim de julho.
• O governo brasileiro recomenda que cidadãos não se alistem em forças armadas estrangeiras.
Fontes consultadas
- Reuters — cobertura da guerra Rússia-Ucrânia, 11 a 18 de agosto de 2026.
- Associated Press — ataques aéreos de 16 a 18 de agosto e situação da infraestrutura energética ucraniana.
- Nações Unidas / OHCHR — relatórios sobre proteção de civis na Ucrânia em 2026.
- Ministério das Relações Exteriores do Brasil — alerta consular sobre participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países.
- Folha de S.Paulo / Deutsche Welle — dados atribuídos ao Itamaraty sobre brasileiros mortos e desaparecidos, julho de 2026.
- CNN Brasil — alertas consulares e casos documentados de brasileiros recrutados por forças estrangeiras.
- Comitê Internacional da Cruz Vermelha — Direito Internacional Humanitário e definição de mercenário.
