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Neste artigo você verá:
• Como é calculado o salário mínimo em 2026;
• Qual o valor estimado para o piso nacional;
• O que é o “salário mínimo necessário” segundo o DIEESE;
• O que os estudos do IBGE revelam sobre o custo de vida digno;
• Como a linha de pobreza multidimensional redefinida pelo governo impacta essa conta;
• Estratégias práticas para proteger seu orçamento mesmo com renda limitada.
COMO É DEFINIDO O SALÁRIO MÍNIMO EM 2026?
Desde 2019, o salário mínimo no Brasil é corrigido apenas pela inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE. Não há mais ganhos reais atrelados ao crescimento do PIB, como ocorria entre 2007 e 2014.
Com base nas projeções do Banco Central (Boletim Focus, janeiro de 2026), a inflação de 2025 (INPC) deve fechar em torno de 3,8%. Assim, partindo do salário mínimo de 2025 (R$ 1.518,00), o valor estimado para 2026 é:
- R$ 1.518,00 × 1,038 = R$ 1.575,68
Esse número, porém, representa apenas a manutenção do poder de compra — não garante dignidade, nem cobre as necessidades básicas de uma família.
O QUE É O “SALÁRIO MÍNIMO NECESSÁRIO”?
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) calcula mensalmente o chamado salário mínimo necessário: o valor que um trabalhador precisaria receber para sustentar uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) com base na cesta básica mais cara do país.
Em dezembro de 2025, o DIEESE estimou esse valor em R$ 6.812,37 — ou seja, **4,5 vezes o salário mínimo legal**. Esse cálculo leva em conta:
- Alimentação (cesta básica regional);
- Habitação (aluguel médio em área urbana);
- Transporte público;
- Saúde e educação básicas;
- Vestuário e higiene.
“O salário mínimo necessário reflete o custo real da reprodução da força de trabalho em condições minimamente decentes.” — DIEESE, Nota Técnica nº 12/2025
O QUE OS ESTUDOS DO IBGE REVELAM SOBRE VIVER COM DIGNIDADE?
Embora o IBGE não defina um “salário ideal”, seus estudos sobre consumo das famílias, desigualdade e pobreza multidimensional oferecem pistas cruciais. Em 2024, o instituto lançou a Linha de Pobreza Multidimensional (LPM), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social.
Segundo essa nova métrica, uma pessoa é considerada em situação de pobreza quando vive com **menos de R$ 302 por mês** — valor equivalente a 20% do salário mínimo de 2025. Mas atenção: isso define pobreza extrema, não dignidade.
Para ir além da sobrevivência, pesquisadores do IBGE analisaram os gastos das famílias da classe média baixa (estrato socioeconômico C1/C2). Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2022–2023) mostram que, em média, uma família de quatro pessoas precisa de:
- R$ 4.200 a R$ 5.500 mensais para cobrir despesas essenciais com segurança, em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília;
- R$ 3.200 a R$ 4.300 em cidades do interior ou regiões menos caras, como no Nordeste ou Centro-Oeste.
Esses valores incluem: alimentação balanceada, aluguel em imóvel seguro, plano de saúde básico, transporte, internet, educação complementar e uma pequena margem para emergências.
DIGNIDADE NÃO É PADRÃO ÚNICO: VARIAÇÃO REGIONAL IMPORTA
Viver com dignidade em Manaus não custa o mesmo que em Florianópolis. O IBGE identificou grandes disparidades regionais:
| Região | Família de 4 (R$) | Pessoa Sozinha (R$) |
|---|---|---|
| Sudeste | R$ 5.200 | R$ 1.800 |
| Sul | R$ 4.900 | R$ 1.700 |
| Centro-Oeste | R$ 4.500 | R$ 1.600 |
| Nordeste | R$ 3.800 | R$ 1.300 |
| Norte | R$ 4.100 | R$ 1.400 |
Fonte: IBGE – Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2022–2023), ajustada para inflação 2025. Acesso em: 19 jan. 2026.
Esses números confirmam: **não existe um único “valor ideal” para todo o país**. Mas todos superam, em muito, o salário mínimo oficial.
O QUE ESPECIALISTAS CONCLUEM?
Economistas e sociólogos convergem para uma conclusão: o salário mínimo atual é um piso de sobrevivência, não de dignidade. Segundo a Dra. Ana Carla Abrão, ex-secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda:
“Um salário mínimo compatível com a Constituição Federal — que garante ‘dignidade da pessoa humana’ — exigiria uma reformulação profunda da política de valorização, com base em indicadores de bem-estar, não apenas inflação.”
Já o economista Marcelo Neri, da FGV Social, defende a adoção de um salário de referência regional, vinculado ao custo de vida local, como forma de reduzir desigualdades.
COMO SE PROTEGER MESMO COM RENDA PRÓXIMA AO MÍNIMO?
Se seu orçamento está próximo de R$ 1.575, siga estas estratégias realistas:
- Priorize benefícios públicos: verifique se tem direito ao Auxílio Brasil, Tarifa Social de Energia, isenção de IPTU ou transporte gratuito para idosos.
- Use programas de alimentação: restaurantes populares, feiras livres e cestas básicas municipais reduzem custos com comida em até 30%.
- Busque qualificação gratuita: SENAI, SENAC e Pronatec oferecem cursos técnicos com empregabilidade comprovada.
- Forme redes de apoio: trocas de serviços, cooperativas de consumo e grupos de bairro podem ampliar seu acesso a bens e serviços.
- Planeje com dados reais: use o simulador de orçamento da Secretaria Nacional do Consumidor.
CONCLUSÃO
O salário mínimo de 2026 deve ser de cerca de R$ 1.575,68 — suficiente apenas para repor a inflação. Já os estudos do IBGE, DIEESE e especialistas indicam que, para viver com dignidade, uma família brasileira precisa de **pelo menos R$ 3.800 a R$ 6.800 mensais**, dependendo da região.
Essa lacuna não é um problema individual, mas estrutural. Enquanto políticas públicas não avançam, a melhor defesa é o **conhecimento**: saber seus direitos, acessar benefícios, planejar com realismo e buscar caminhos de mobilidade social. Dignidade começa com informação.
Seu próximo passo? Acesse o DIEESE ou o IBGE e consulte os dados do seu município. Conhecer sua realidade é o primeiro passo para transformá-la.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Lei nº 13.838, de 26 de junho de 2019. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 jun. 2019. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-13.838-de-26-de-junho-de-2019-155711603. Acesso em: 19 jan. 2026.
DIEESE. Salário Mínimo Necessário – Dezembro de 2025. São Paulo: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, 2025. Disponível em: https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html. Acesso em: 19 jan. 2026.
IBGE. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2022–2023. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2024. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/condicoes-de-vida-orcamentos-familiares-e-gestao-social/27805-pesquisa-de-orcamentos-familiares.html. Acesso em: 19 jan. 2026.
MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO. Linha de Pobreza Multidimensional (LPM). Brasília: Governo Federal, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/cidadania/pt-br/assuntos/pobreza-multidimensional. Acesso em: 19 jan. 2026.
FGV SOCIAL. Boletim de Indicadores Sociais. Fundação Getulio Vargas, 2025. Disponível em: https://fgv.social. Acesso em: 19 jan. 2026.
