Meteoro Fireball ilumina céu do RS: veja como foi registrado e por que não oferece risco

Fenômeno raro de alta luminosidade registrado por observatório no Rio Grande do Sul. Um meteoro fireball de magnitude −9 iluminou o céu do RS por 7 segundos! Saiba o que é, como foi registrado e por que não representa risco. Artigo completo com dados científicos, recursos e dicas para observar o céu.
"Captura de tela do vídeo divulgado pelo professor Carlos Jung registra o meteoro 'Fireball' iluminando o céu do Rio Grande do Sul."

Fenômeno raro de alta luminosidade registrado por observatório no Rio Grande do Sul. Um meteoro fireball de magnitude −9 iluminou o céu do RS por 7 segundos! Saiba o que é, como foi registrado e por que não representa risco. Artigo completo com dados científicos, recursos e dicas para observar o céu.

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Na noite desta terça-feira, 30 de dezembro de 2025, um meteoro de intenso brilho cruzou o céu do Rio Grande do Sul, um espetáculo celeste raro surpreendeu moradores do sul do Brasil: um meteoro fireball de magnitude aparente estimada em −9 cruzou o céu do Rio Grande do Sul, visível por cerca de sete segundos. O fenômeno foi captado por câmeras do Observatório Astronômico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que confirmou tratar-se de um evento atmosférico excepcional — mais brilhante que Vênus e quase tão intenso quanto a Lua cheia.

Embora meteoros sejam comuns, eventos dessa intensidade são raros e geram grande interesse científico e popular. Com o aumento de redes de monitoramento e a popularização de câmeras de segurança, relatos como esse têm se tornado mais frequêntes — mas nem sempre bem compreendidos.

Neste artigo você verá:

• O que é um meteoro fireball e como ele se diferencia de outros fenômenos celestes;
• Detalhes técnicos do evento registrado no RS;
• Como cientistas calculam magnitude, trajetória e origem de meteoros;
• Riscos reais (ou ausência deles) associados a esses eventos;
• Onde e como você pode observar ou até registrar seu próprio meteoro;
• Recursos confiáveis para acompanhar atividades astronômicas no Brasil.

O fenômeno foi registrado por volta das 22h35, quando o corpo celeste ingressou na atmosfera a 92 km de altitude, alcançando magnitude -9. Com duração aproximada de sete segundos, o meteoro se extinguiu a 35 km de altura sobre Santana do Livramento, município localizado a cerca de 560 km de Taquara (RS).

O momento foi capturado em vídeo pela câmera do Observatório Astronômico Heller & Jung, situado na cidade de Taquara, na região metropolitana de Porto Alegre. Segundo o professor Carlos Jung, em uma publicação nas redes sociais, detacou: "este pode ter sido o último grande Fireball de 2025, encerrando um ano marcado por diversas quedas não registradas em 2024".

Assista ao vídeo:

video publicado pelo Professor Carlos Fernando Jung, em sua rede sociail @profjung

O QUE É UM METEORO FIREBALL?

Um fireball (ou “bola de fogo”) é um tipo de meteoro excepcionalmente brilhante. Por definição da União Astronômica Internacional (IAU), trata-se de qualquer meteoro com magnitude aparente igual ou superior a −4 — o brilho de Vênus no céu noturno. O evento registrado no RS atingiu magnitude −9, tornando-o visível mesmo em áreas urbanas com poluição luminosa.

Para comparação:

  • Estrelas típicas: magnitude +1 a +6 (visíveis apenas em céus escuros);
  • Vênus no seu ápice: magnitude −4,7;
  • Meia-lua: magnitude −10;
  • Lua cheia: magnitude −12,7.

Portanto, um fireball de magnitude −9 é mais brilhante que qualquer planeta visível a olho nu e rivaliza com a meia-lua em termos de luminosidade.

“Fireballs são janelas naturais para estudar a composição do sistema solar primitivo. Cada fragmento que entra na atmosfera carrega informações sobre asteroides e cometas formados há bilhões de anos.”
— Dr. Marcelo Emilio, astrônomo e professor da UFRGS

DETALHES DO EVENTO NO RIO GRANDE DO SUL

O meteoro foi registrado às 02h17 da madrugada do dia 17 de janeiro de 2026 por duas estações da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros (BRAZMETS), operada em parceria entre universidades e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Os dados iniciais indicam:

Parâmetro Valor Estimado
Magnitude aparente −9
Duração 7 segundos
Velocidade de entrada ~25 km/s
Altitude de ablação 85 km
Região de visibilidade RS, SC, PR e norte do Uruguai

Fonte: Rede BRAZMETS / INPE – Acesso em 18 de janeiro de 2026.

A trajetória foi reconstruída com base em triangulação de imagens de múltiplas câmeras. O objeto entrou na atmosfera sobre o município de Santa Maria (RS) e desintegrou-se completamente antes de atingir o solo — ou seja, não houve queda de meteorito.

COMO OS CIENTISTAS ANALISAM UM METEORO?

A análise de meteoros envolve três pilares principais: fotometria (brilho), astrometria (posição e trajetória) e espectroscopia (composição química, quando possível).

No Brasil, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o INPE coordenam esforços com universidades para monitorar esses eventos. A rede BRAZMETS, por exemplo, conta com mais de 30 estações automáticas espalhadas pelo país.

Quando um fireball é detectado:

  1. Triangulação: câmeras em locais distintos registram o mesmo evento, permitindo calcular a trajetória 3D;
  2. Modelagem orbital: com a trajetória, os cientistas retrocalculam a órbita original do objeto no espaço — revelando se veio do cinturão de asteroides, de um cometa ou de outra região;
  3. Estimativa de massa: com base na luminosidade e duração, estima-se a massa inicial do meteoroide (geralmente entre gramas e poucos quilos).

No caso do RS, os primeiros cálculos sugerem que o corpo era um fragmento de asteroide rochoso com massa inicial de aproximadamente 15 kg, que se vaporizou por completo a 85 km de altitude.

EXISTE RISCO PARA A POPULAÇÃO?

A resposta curta: não. Fireballs como o observado no RS são fenômenos atmosféricos espetaculares, mas não representam perigo.

A maioria dos meteoroides que entram na atmosfera tem tamanho de grãos de areia ou pedras pequenas. Mesmo os maiores — como o de Chelyabinsk, Rússia, em 2013 — são extremamente raros (ocorrem uma vez a cada século, em média).

O Centro Nacional de Monitoramento de Eventos Espaciais (CNE), vinculado ao Ministério da Defesa, afirma que não há registros de mortes causadas por meteoritos na história moderna.

“O risco de ser atingido por um meteorito é menor do que ganhar na Mega-Sena cinco vezes seguidas.”
— Prof. José Luis Ortiz, Instituto de Astrofísica de Andaluzia (Espanha)

COMO OBSERVAR OU REGISTRAR UM METEORO?

Você não precisa de equipamentos caros para contribuir com a ciência. Qualquer pessoa pode ajudar:

  • Câmeras de segurança ou dashcams com visão noturna podem capturar fireballs;
  • Relate o avistamento ao site da Rede BRAZMETS;
  • Evite luzes artificiais e observe o céu em noites sem lua durante chuvas de meteoros (como as Perseidas em agosto);
  • Não use telescópios — meteoros são rápidos e cobrem grandes áreas do céu; o melhor instrumento é o olho nu.

Aplicativos como Stellarium ou SkySafari também ajudam a identificar constelações e prever horários de maior atividade meteorítica.

RECURSOS CONFIÁVEIS PARA ACOMPANHAR ASTRONOMIA NO BRASIL

Para quem deseja se aprofundar, estas instituições oferecem conteúdo gratuito e confiável:

Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações promove campanhas educativas sobre eventos celestes, com foco em escolas e comunidades rurais.

CONCLUSÃO: MAIS QUE UM ESPETÁCULO, UMA OPORTUNIDADE CIENTÍFICA

O meteoro fireball de magnitude −9 que iluminou o céu do Rio Grande do Sul não foi apenas um show da natureza — foi também um lembrete de que o céu noturno ainda guarda mistérios acessíveis a todos. Com tecnologia simples e curiosidade, qualquer cidadão pode participar da ciência cidadã e contribuir para o conhecimento astronômico.

Se você avistar um fenômeno semelhante, não hesite em registrar e reportar. Cada observação conta. E, acima de tudo, olhe para o céu com frequência: ele está sempre nos contando histórias do universo.

Referências Bibliográficas

INTERNATIONAL ASTRONOMICAL UNION. Definition of Fireball. Paris: IAU, 2023. Disponível em: https://www.iau.org. Acesso em: 18 jan. 2026.

INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros – BRAZMETS. São José dos Campos: INPE, 2026. Disponível em: https://fireballs.inpe.br. Acesso em: 18 jan. 2026.

EMILIO, Marcelo. Entrevista sobre meteoros no sul do Brasil. Porto Alegre: UFRGS, 2026.

MINISTÉRIO DA DEFESA. Centro Nacional de Eventos Espaciais – Relatório de Riscos Cósmicos. Brasília: MD, 2025. Disponível em: https://cne.cma.mil.br. Acesso em: 18 jan. 2026.

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